quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Onomatopeia plástica #41

Algesigrafia (Padronização da dor) (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Onomatopeia repensadora

Eis as coisas que poderia ter adquirido pelo valor aproximado que despendi para conviver dolorosamente com 74 922 seres humanos:

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Onomatopeia espelhante

A vida não é sempre uma festa, mas há coisas que nos lembram as vezes em que foi e que nos dão esperança que poderemos voltar a festejar...

Onomatopeia policroma

Depois de ler este post do Venus as a boy e de recentemente ter ouvido coisas como "don't touch me, I don't want any help from a gay guy" de um suposto proclamado artista português, embriagado ao ponto de mal se conseguir suster em posição ereta, na inauguração de uma exposição numa galeria cujo dono é (o tempora! o mores!) gay, sei que há coisas que, mesmo parecendo banais, têm a importância interventiva dos símbolos, ainda que formalmente sejam apenas listas de cores sobrepostas impressas sobre um invólucro de plástico. 

E orgulhosamente exibo estas cores, orgulhosamente exibe-as o Gattaca e orgulhosamente exibe-as o Doudou. Assim como orgulhosamente eu exibo estas pessoas, que, dependente e independentemente das suas cores sexuais, me fazem sentir orgulhoso de todas as minhas paletas cromáticas.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Onomatopeia plástica #40

Lesbian chic (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Onomatopeia inconsequente

Descia a rua empedrada, carregada de sacos, malas, roupa e de si própria. Parecia apressada, apesar de àquela hora não ter ninguém à sua espera, porque há muitos anos que àquela hora não tinha ninguém à sua espera em parte alguma. Rivalizava com as pedras a frequência daquele percurso quotidiano. Nem a chuva nem qualquer outra intempérie quebrava este padrão. Ia provavelmente vazia de pensamentos, porque a pressa é muitas vezes inimiga do raciocínio. Mas cansava-se de se apressar e, de vez em quando, parava e olhava em volta, como se se quisesse certificar de que a rua não a enganava, que os edifícios não tinham sido movimentados, que a linha do horizonte continuava inalterada e que a imobilidade geral era garantia da direção certa. Os passos que dava eram, pelo contrário, inseguros, cambaleantes pelo peso do que carregava e pela fragilidade do corpo. Sussurrava algo impercetível a ouvidos alheios, como se a inexistência de interlocutor não impedisse verbalizações ou como se houvesse poesias escritas sem intenção de angariar leitores. A sua presença física não era notável e os restantes passeantes não demonstravam particular interesse na sua personagem, mas ela não estava consciente da inconsciência dos outros e continuava, sussurrante e pequena, apesar de acrescentada pelos acessórios que transportava.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Onomatopeia plástica #39

Footprints on fake snow (2008)
Pegadas sobre tela
Coleção do autor

Onomatopeia ex cinis cineris

Ilustração retirada do livro Schedelsche Weltchronik (1493), da autoria de Hartmann Schedel

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Onomatopeia sem final (in)feliz

O que no pó começa em pó se torna... Bastou o vento soprar com mais intensidade para que tudo se desmoronasse. 

Se a Fénix renascer pode ser que renasça mais vigorosa... Afinal é das cinzas da destruição que se erguem as cidades mais poderosas e os homens mais fortes.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Onomatopeia renascida

"I might leave tomorrow
To feel the joy of a new start..."

da letra de Our discussion, de Nina Nastasia & Jim White,
do álbum You follow me

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Onomatopeia Sonora Original

Como agora tudo me parece GRANDES PLANOS em





ma



ra



len



ta

(ou travellings aaaaaaaaarraaaaaaaaaaaaaastaaaaaaaaadooooooooooos...


ainda não percebi muito bem...),

esta seria a banda sonora do filme do meu dia de hoje.

Grizzly Bear - Colorado


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Onomatopeia plástica #38

Ex-Voto (2008)
Boletim de voto e acrílico sobre tela
Coleção do autor

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Onomatopeia confessional

No meu Muro da Vergonha, cada um dos tijolos tem inscrita cada uma das seguintes frases:

Onomatopeia plástica #37

I keep on making the same mistakes (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

Onomatopeia caminhante

Ainda que haja outros caminhos, há uns que continuamos a percorrer com mais insistência, porque neles encontramos sempre coisas anteriormente invisíveis... E o que nos parecia conhecido revela-se novo e a novidade reacende o entusiasmo do primeiro dia em que unimos dois pontos com o nosso movimento...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Onomatopeia fiducial

E quando há medos que nos circundam, há memórias que nos fazem esquecê-los e nos ajudam a restabelecer a confiança moribunda. Destas memórias, podem mostrar-se as palavras que as registaram:

"Pequena pedra preciosa... Se fosse mais pikena incrustava-o para andar sempre comigo!"

Obrigado, D... Obrigado pelo teu humor, pela tua presença energética, pela tua inteligência, pela tua cumplicidade...

"Gostava que fosses uma mala para te poder levar para todo o lado!"

Obrigado, N... Mesmo os trezentos quilómetros que te separam de mim não te afastam um milímetro...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Onomatopeia plástica #36


We match (2008)
Acrílico ou fósforos sobre tela
Coleção do autor

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Onomatopeia plástica #35

We're bigger when we're together (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

Onomatopeia plástica #34

Protection (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Onomatopeia versejante

Poema criado às 12:57 de hoje:

Se há coisa na vida que se tem de aceitar
É que chupão não escolhe lugar



Há grandes verdades que nos saem assim: espontâneas e em rima...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Onomatopeia estética

William Hogarth's line of beauty and grace

Can beauty be found in all lines or is this the only line of beauty? Is there beauty in straight lines? Is beauty to be found strictly in lines? Is there anything that cannot be summoned up in lines? Aren't all lines beautiful? If you take an s line and turn in into a straight line, what happens to its beauty? Does a blind person think of worldly things in terms of beauty? Does a blind person know what a line is? What is the line of ugliness? What's beauty for? Does my line of beauty coincide with everyone else's line of beauty? Does it matter if it does? Does it matter if it does not? Are all questions about the line of beauty about beauty or about the line itself? 

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Onomatopeia viajante

Foram muitos os caminhos, mas poucas as horas para tanta vontade de continuar a viagem...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Onomatopeia assumida

Hoje em dia encontram-se em algumas livrarias, nomeadamente na Fnac e na Byblos, secções com o título "Literatura Gay". E, pergunto eu (e provavelmente muito mais gente com a mania de questionar o que vê por aí), o que faz um livro ser gay? O autor ser assumidamente gay? A temática ser entendida por alguém na livraria como gay? Ter personagens gays? Conter, nem que seja uma única vez, a palavra gay? Ter descrições de relações sexuais entre duas ou mais pessoas do mesmo sexo? Ser lido maioritariamente por um público gay?

Se calhar discutir o sexo dos livros é como discutir o sexo dos anjos, mas gostava de saber quais são os critérios para a atribuição de identidade sexual aos livros. É provável que esses critérios possam nortear o caminho de muita gente que anda por aí baralhada sem saber em que estante se incluir... Eu cá ficava nas estantes automáticas da Byblos... Não têm rótulos e incluem todo o tipo de livros, que se obtêm bastando digitar um numerozinho ou digitalizar um codigozinho de barras. O número é quase sempre menos redutor que o verbo...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Onomatopeia carpe noctem et diem

Tudo o que eu preciso está em momentos como estes...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Onomatopeia em tempo real

"olá filhote"

"P., anda pa casa..."

Soube tão bem... E tudo o resto pareceu menos importante, menos problemático, menos difícil...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Onomatopeia badalhoca


EU JAVARDOLAS ME CONFESSO! 

E mostro a quem quiser ver - e provavelmente a quem não quiser! - a sujidade acumulada atrás do meu fogão... Foi todo um mundo de massas ressequidas, pó, gordura e outros objetos asquerosos que se revelou a meus olhos. A javardice já foi limpa, mas a sua memória perdurará. Quem sua porcaria mostra, castigo não merece...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Onomatopeia coup de foudre

Tenho uma nova paixão! 

E é tão mais fácil termos paixões por objetos... Podemos amá-los à vontade, sem esperança de que eles nos amem de volta, sem esperar que nos retribuam em sentimentos... Queremos apenas que eles funcionem, que façam aquilo que está documentado no manual... 

Podemos amá-los só porque são belos e esquecer o seu interior, sem que nos atirem à cara que fazemos deles apenas objetos de prazer. 

Amo-te, Sony Ericsson W880i! És lindo, magro, esbelto, elegante, funcional, intuitivo, musical e cabes na minha mão como se a engenharia tivesse apenas tido em mente a nossa existência conjunta. Além de tudo isso, ainda serves de ponte entre mim e as minhas famílias: a de sangue e a que me adotou já depois da minha idade adulta. Através do amor que tenho por ti, tenho o amor deles sempre que eu quiser e eles têm o meu sempre que eles quiserem.

E, não sei bem porquê, esta lengalenga onomatopaica fez-me lembrar um poema de Herberto Helder, que não resisto a transcrever aqui na sua inteiridade...

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.

Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.

Onomatopeia mariana

Nossa Senhora AKA Virgem Maria AKA Mãe de Deus tem-se cruzado comigo nos últimos dias, quer sob a forma de miniescultura quer sob a forma de autocolante móvel quer sob a forma de cânticos de fazer arrepiar qualquer ateu como eu, que foi apenas duas vezes à missa em toda a sua vida e que nunca experimentou a sensação de comer o corpo de deus sob a forma de bolacha achatada de pão ázimo... As aparições não se deram na Cova da Iria nem o contexto político-sócio-cultural permite que eu me torne um caso de culto internacional, mas sinto-me privilegiado por, mesmo não sabendo pastorear, ter sido escolhido por tão alta divindade. E já que do conteúdo não sabemos nem temos nada para mostrar, aqui ficam captações gráficas da forma:

                    

P.S.: Gosto muito da moldurinha que o Blogger decidiu pôr nestas fotos... Acho que também aqui houve intervenção divina...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Onomatopeia heterovalorizada

- Se te acontecer alguma coisa, eu não sei o que faço da minha vida... Se tu desapareceres, eu também tenho de desaparecer...

- (didascália indizível)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Onomatopeia menstrual

- Eu adoro tampões. Os pensos são uma porcaria, fica tudo ensopado e começam a verter. Os tampões são uma maravilha, ficam lá dentro e adaptam-se.
- Mas os tampões não escorrem?
- Escorrem, mas não é como os pensos. Além disso, é sempre bom ter alguma coisa lá dentro que entra pequenina e depois incha.
- Iá...
- Se bem que no outro dia estava um tampão usado nojento na praia de Carcavelos, todo cheio de sangue.
- Se calhar ficou lá por causa do arrastão...
- Sim, no meio da confusão ficaram tampões, dentaduras...
- E outras próteses diversas.
- E depois com a maré baixa aparece tudo no meio da areia...

Onomatopeia advertente

Serve este pequeno post para informar os milhões de leitores deste famigerado blogue que a partir de hoje todos os textos nele apresentados usarão a grafia preconizada pelo Acordo Ortográfico de 1990. Razões pedagógicas prendem-se com esta decisão.

O Acordo tem os seus defeitos, pois que os tem, mas não tem mais que o seu irmão mais velho, nascido em 1945. O seu maior pecado é dizer-se uniformizador e depois não conseguir uniformizar coisa nenhuma: Querem um acento agudo? Então tomem lá um acento agudo! Querem um acento circunflexo? Então aqui o têm. São brasileiros? Então escrevam crise econômica! São portugueses? Então grafem crise económica! (A escolha deste exemplo é a minha contribuição política de hoje! Finalmente sou um bloguista de intervenção!)

E já nem falo nas regras para o uso do hífen... Só vos digo para terem medo e para evitarem tudo o que seja palavra hifenizada!

N.B.: Alguém notou diferença na grafia das palavras deste texto? Não? Então se calhar as diferenças não são assim tantas... Digo eu...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Onomatopeia joyeuse de vivre numéro 1

Tenho um fascínio por material de escritório... É verdade... Adoro lápis, canetas, agrafadores, furadores, x-atos, borrachas, afias, marcadores de várias cores, recargas, blocos, cadernos, transferidores, clips, pioneses, compassos, réguas, lápis de cor, canetas de feltro, papel-cavalinho, papel vegetal, papel de lustro... Sinto-me exultante quando me passeio sem propósito na Papelaria Fernandes, nos corredores dos hipermercados onde tudo se dependura e convida ao manuseamento e trasladação para o carrinho das compras, nessa grande meca do stationery que é a Staples Office Centre, até nas pequenas papelarias onde o ruído das Hello Kitties e das Puccas esconde esse mundo fascinante dos pequenos objectos do economato. Arranjo mil desculpas para usar aquele lápis cor-de-laranja fluorescente especial da Staedtler, compro afia-lápis à medida para ele (daqueles com dois orifícios para lápis de circunferências diferentes), percorro lojas atrás de lojas para encontrar as recargas ideais para a caneta que considero perfeita, guardo uma esferográfica da Rotring há anos para a qual não consigo encontrar recargas em lado nenhum... Não sei bem porquê... Também não me apetece pensar nisso... Gosto. Ponto.

Onomatopeia dialogante

- A maionese é badocha!
- Mas esta maionese é magra.
- Magra sou eu e não estou à venda em frascos no Continente.


- Porque é que pões as almofadas encostadas à parede?
- É para a cama respirar...


- Qual é a tua cor preferida para lençóis?
- .....................
- Não tens uma cor preferida para lençóis?
- .....................
- Mas tens de pensar assim tanto para responder?
- .....................

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Onomatopeia miraculosa

Hoje assisti ao milagre da transformação física da urina!!!!

Antes disso, ainda consegui realizar o milagre de não entornar uma única pinga para fora do recipiente e depois consegui o milagre de não perceber que era para deixar o recipiente no carrinho e não no cantinho, pelo que a minha urina teve exposição pública no canto do balcão durante, no mínimo, 15 segundos.

E depois... Depois foi como se a graça divina se tivesse abatido sobre mim quando me disseram "a sua urina está boa" e ma entregaram em forma gráfica e numérica!

Não sei como o fizeram, mas alguém naquela clínica devia ser canonizado.

Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabbaoth; Pleni sunt caeli et terra gloria Tua. Hosanna in excelsis.

Onomatopeia vidente

Eu tenho um amigo que me ama
Que me ama, que me ama
Eu tenho um amigo que me ama
Seu nome é Mamadu!

E depois deste pequeno intróito musical, ficam por responder algumas questões:

1- O que é um Dom Herditário?
2- O que é uma doença espiritual?
3- Desde quando é que a sorte ao jogo é um problema?
4- Em que casos é que a protecção pode ser um problema?
5- Com que tipo de algemas, cola ou fita-cola se prende uma vida nova?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Onomatopeia exorcizante

mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºae mºae mºae mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºae mãe mºãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºae ãem º~ma mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºaer ºmae mãe m,ºaem ºmae ºmae çmae ~maeºmaeº ame ~mae ñmae mºãe mºãem mãe mãem mãe mºmae mãe ma~e nºae nºaenm mãe mae mãe nãe mãe mãe mºãe mºaemº ºmae mãe mãe mºae mãe mãe mãe mãe mãe mãe ma~e mãer mºae mãe mãe

Onomatopeia esborralhada

Qual é o cúmulo da decadência à hora do almoço?

Eu já sei qual é... É deixar cair a cabeça num prato cheio de massa com molho de tomate. E tenho testemunhas... Testemunhas incrédulas que viram o episódio com os próprios olhinhos que a terra há-de comer.

Vou só ali tirar um pedaço de tomate-cherry do nariz e já venho...

Onomatopeia analgésica

E quantos destes são necessários tomar para que as dores de hoje e dos ontens todos desapareçam?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Onomatopeia cristicida

- Eu sou o caminho, a verdade e a vida!
- Estou de saltos altos. Há caminhos que não consigo fazer...

Onomatopeia plástica #33

Turntablism (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Onomatopeia virginal

- Bom dia. É um café, se faz favor. E são dois destes bolos. Quanto é?
- Dois euros e três cêntimos.
(Entrega nota de cinco euros e procura moedas na carteira.)
- Eu tenho os três. Quer?
- Não, obrigado.

Onomatopeia retornada

A minha melhor amiga voltou!!!!!!!!!

Há duas semanas que tinha sido levada de urgência para uma operação delicada, mas a recuperação foi total e ei-la de volta com todo o seu charme e dedicação, disposta para me ajudar nos momentos mais difíceis do meu dia-a-dia. Como não tinha nenhuma máquina fotográfica para registar o momento ditoso do seu regresso, coloco aqui uma foto que encontrei na Internet, porque, aparentemente, ela é a melhor amiga de muita gente por esse mundo fora!

E de repente todas as palavras do mundo desapareceram até que voltem a fazer sentido outra vez...

Modeselektor feat. Thom Yorke - The White Flash

terça-feira, 15 de julho de 2008

Onomatopeia semiplástica #1

Pelos vistos, a minha aptidão para  criar em suportes menos convencionais não é muito grande, mas a obra é interactiva e incentiva à imaginação do espectador/expectante/usuário, promovendo o fim do receio do manuseamento das obras de arte. Ecce opera:

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Onomatopeia plástica #32

I am way over you (techsymbols series #4) (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #31

I am way at the back (techsymbols series #3) (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

domingo, 13 de julho de 2008

Onomatopeia plástica #30

There are no perfect poems (2008)
Poema esborratado de Herberto Helder sobre tela
Colecção do autor

sábado, 12 de julho de 2008

Onomatopeia plástica #29

I came and hit the wall (2008)
Acrílico e esperma sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia madrugadora

Metade de um ano de trinta e um anos... Parece pouco mas aos poucos em seis meses aprende-se por vezes mais do que em seis anos, mesmo que pareça que já temos tudo aprendido e que nada de novo haja nos dias e nas noites que hão-de vir. Mesmo que o cansaço nos vença e as palavras façam ricochete nas paredes que por vezes nos dividem, em retrospectivas paralelas e momentaneamente divergentes, o tempo parece querer dizer que a hierarquia das importâncias individuais se encaixa em todas as teorias da relatividade e que não há teorias mais importantes que a nossa persistência no que cremos e no queremos construir para além das nossas individualidades incontornáveis. Contornam-se as insensatezes, as imperfeições, as memórias mais acutilantes e retorna-se àquele ponto em que estávamos antes de sermos campo de batalha, antes que a quantidade dos despojos seja em demasia para as nossas forças e antes que desistamos de uma batalha que pode ter mais de um vencedor. Depois do armísticio, reabrem-se as fronteiras, porque nestas nações não há termos de residência e a identidade é criada através das viagens que fazemos sem bagagens nem paragens obrigatórias, ainda que tenhamos de atravessar cadeias montanhosas e vales onde o eco pode confundir a nossa orientação... E depois de sermos turistas nos espaços que não são os nossos, regressamos a uma terra em que os sons, as paisagens, o horizonte, a luz e a sua ausência nos parecem mais familiares e descansamos para que as próximas viagens sejam apenas aquelas em que não somos mercenários nem carregamos armas que não sabemos manejar...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Onomatopeia peticionária

E visto que há temas importantes para todos nós e para a sociedade hodierna e que a nossa consciência cívica deve estar sempre alerta para questões de fundo como estas, está online uma petição que pode ser assinada em http://www.petitiononline.com/homometr/petition.html.

Exmos. srs. directores, administradores, CEO's, EOC's e OEC's do Metropolitano de Lisboa,

Nós, os abaixo assinados, pensamos ser urgente proceder a alterações na climatização nas estações e carruagens do Metro de Lisboa, uma vez que o calor é geralmente insuportável, especialmente nos meses de Verão, o que leva à formação de maus cheiros devido à existência de bactérias nas pilosidades humanas que transformam o suor em partículas nauseabundas e fétidas. Para além do problema olfactivo, é ainda preocupante o facto de mancharmos as roupas em sítios onde existem articulações de membros, o que preocupa bastante quem gosta de adquirir vestuário em boutiques de griffe, pois cada peça passa a ser uma preciosidade que manteremos até ao resto de nossas vidas e o suor é um dos inimigos a abater nesta luta constante.

Queremos ainda tornar pública a intenção de vermos celebrados casamentos entre pessoas do mesmo sexo (vulgos homossexuais ou gays, apesar de não apreciarmos este eufemismo estrangeiro) nas estações da linha vermelha, visto que são as mais recentes e as que esteticamente melhor se adequam ao estilo de vida dessa grande minoria que faz avançar o design (leia-se desaine e não, pretensiosamente, dizaine), a moda e o bom gosto da nossa sociedade. Pensamos que quem não advoga azulejos brancos até ao tecto nas paredes de restaurantes, detesta sapateiras nos halls de entrada das casas e nunca na vida seria apanhado vivo a usar cuecas da Abanderado deve ser recompensado com este tipo de privilégios, que não afectariam em nada o normal funcionamento das estações, pois as pessoas que querem casar com pessoas do mesmo sexo são pessoas (a redundância serve de recurso enfático) cujas vidas se mantêm activas durante grande parte do horário nocturno, nem que para tal tenham de usar substâncias ilícitas.

Onomatopeia em busca do tempo perdido

Há provavelmente mais de um milhar de dias que não me lembrava desta música, mas recentemente a bondosa função shuffle do iPod retrouxe-ma à memória. Mesmo com tanto tempo ocupado a rapar o cabelo, a rasgar fotografias do papa e a acusar a Inglaterra de, em épocas idas, roubar as batatas à Irlanda, a Sinéad O'Connor ainda conseguia gerir a sua ocupada agenda para fazer músicas como esta, aparentemente apolítica e unicamente vocal...

Sinéad O'Connor - In This Heart (do álbum Universal Mother)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Onomatopeia plástica #28

Hit the remote control and play it again, Sam (techsymbols series #2) (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Onomatopeia plástica #27

Shutdown and reboot (techsymbols series #1) (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

terça-feira, 8 de julho de 2008

Onomatopeia embriagada (a sequela)

A wishlist ficou mais pequena, porque decidi oferecer-me a mim mesmo dois dos itens da lista: os copos e os cock rings antipingos. Quem tinha pensado fazer-me uma surpresa com algum dos itens, ainda tem o picador de gelo e as rolhas de vácuo (o fígado pode ser o de um porco qualquer atropelado numa das estradas do nosso Portugal profundo). E aqui fica o resultado final da experiência de hoje, que serve como brinde de parabéns a uma pessoa que não conheço, mas que conhece outra que eu conheço bem e que vou conhecendo cada vez melhor.

Post scriptum: Nunca mais vou às compras sem os óculos ou as lentes... Ia trazendo umas taças de sobremesa porque as confundi com copos de cocktail... Vai na volta e até dava um efeito inovador. Claro que nem falo do tempo que levei até encontrar a secção dos copos...

Onomatopeia plástica #26

Playing on with a broken string (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Onomatopeia embriagada

E para comemorar a minha primeira homemade margarita, deixo aqui uma wishlist relacionada com a preparação ou degustação de bebidas alcoólicas:

- picador de gelo;
- copos de cocktail (para cosmopolitans, margaritas e afins);
- protecções antipingo para garrafas de vinho;
- rolhas para pôr nas garrafas de vinho depois de abertas (daquelas que têm uma bomba e tudo);
- um fígado ultrarresistente para conseguir suportar todas as experiências coquetelescas.

Onomatopeia plástica #25

Equidistância (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

sábado, 5 de julho de 2008

Onomatopeia plagiadora

Para quê novas palavras quando já há outras que alguém juntou em momentos comuns aos nossos?

"When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more than I ought to drink
Because it brings me back you..."

Nina Simone, excerto da letra do tema Lilac Wine

"Once I wanted to be the greatest
No wind or waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust"

Cat Power, excerto do tema The Greatest


Onomatopeia amputada

Se os teus
olhos fossem braços,
serias o
companheiro
perfeito
para esta noite...
Mas estás à distância de alguns cliques,
de metade de um continente e de £8.99 mais portes...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Onomatopeia vanitas et omnia vanitas

Às vezes a morte e os seus despojos estão mais perto do que julgamos. Quando o nosso refúgio se torna o último abrigo para asas cansadas, não há nada de macabro nisso. Já posso dizer que vivi num jazigo e não tive medo. Quando se começa a limpeza de coisas passadas, há esqueletos que inevitavelmente se descobrem...

May his flying soul rest in peace, for now it has no need for wings for its flight...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Onomatopeia vaginítica

Hoje só tenho três palavras para o mundo (são três porque o pronome pessoal oblíquo é átono, logo não tem vida própria):

Photobucket

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #24

Dial 911 in case of emergency (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica op. 23

Solo piece in one octave (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #22

Cara-metade (2008)
Fotocópia a cores sobre tela
Colecção do autor

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Onomatopeia dacriorreica

O vento a deslizar as árvores, o vento e o sol juntos a castigarem os carvalhos, as laranjeiras, os jacarandás, e eu na janela, a reparar nas manchas e no pó que se acumulou. "Sai daí, por favor, sai daí... desce...", a mesma janela, a mesma sala, mas numa hora e num dia diferentes, porque o tempo também é castigado e nós por ele. Eu, eu outra vez aos 12 anos, eu outra vez a ter medo do mundo, do mundo para lá da porta, a porta antes da fera que me ia comer porque não havia maneira de me defender da inevitabilidade do exterior. "Nem que fosses o último homem do mundo", outras palavras, a caminhada por cima do cascalho até chegar à estrada, dessa vez acompanhado, uma grande parte das vezes sozinho, sempre a olhar pelo ombro, sempre a recear a voracidade das feras, porque as bestas quando se soltam são esquivas e escondem-se para melhor agarrar a presa. Eu de olhos no chão, a ver o movimento das pedras, o som das pedras, o meu som nas pedras, o som que não queria ouvir das pedras dos outros... "Quero chegar a casa, quero fechar-me", não quero saber que há vida para lá da porta pesada que se fecha com quatro voltas de chave, e não quero correr, mas quero correr, porque se correr chego mais depressa e mais depressa esta hora passará para outra hora em que não há pedras, só eu e as paredes da minha fortaleza. (E tu, agora aí, deitado, tu agora aí, e eu sem saber porquê, sem saber porque quero sair mas quero ficar e agarrar-te, e nunca mais te deixar sair de mim, e tu agora aí, sem saber a razão das minhas lágrimas, sem saber que inundei a casa com os meus olhos, que os meus olhos vêem melhor agora apesar de turvos e salinos.) Pela primeira vez separo o trigo do joio, pela primeira vez aperto as verdades contra as incertezas. A campainha, a campainha a tocar para fazer a recolha, a paz perfeita do único refúgio na imensidão dos edifícios, a paz perfeita depois da fuga, no mato que era cerrado e arranhava as pernas, os braços, que deixava marcas na cara e nos olhos, e nas palavras que não saíam de mim mas saíam dos outros, e nos gestos que sentia de fora e que não saíam de dentro. (Sim, não sabes, mas dói tanto agora, dói tanto como doeu na altura, dói tanto porque as feridas abriram outra vez, e eu outra vez desprotegido, e eu outra vez minúsculo no meio dos gigantes, e eu outra vez sem braços à volta, outra vez apertado em mim mesmo.) E o reflexo dos espelhos a responder o que não queria, e eu a evitar o reflexo e a tentar escapar à Medusa, e as serpentes sempre a provocarem, e as vozes de que tinha medo, que se transformavam em gestos e violência, em golpes, e a misericórdia que nunca chegava, a bonança que nunca vinha depois da tempestade. Ainda oiço os trovões, lá ao longe, mas ainda os oiço, à parte de mim, mas de vez em quando a tonitruância aproxima-se e a dor aumenta com o som, ainda que os relâmpagos sejam menos nítidos com todos os filtros da consciência... (Toco-te para te sentir respirar, tu aí que me salvas quando te aproximas, quando as tuas mãos se tocam atrás de mim, e eu respiro de alívio durante uns momentos em que não há memórias nem palavras reminiscentes, apenas a minha cabeça escondida entre o teu rosto e os teus ombros, entre o tecido e a tua pele, entre o calor do teu corpo e a salinidade das minhas lágrimas.)

sábado, 21 de junho de 2008

Onomatopeia parabenizada

Pérolas literárias via serviço de mensagens curtas:

Claro que são os parabéns, meu amor das nhas entranhas demoníacas! Parabéns em todo tu até nos refegos entranhados do teu ser rumo todo lá dentro! Amo-te e amo-te e amo-te e amo-te e beijos e guinchos e borradelas do esforço e confétis e tutus e fadas porcalhonas a oferecer a nêspera a todo e qualquer transeunte! Parabéns!

D. manda beijas... Daquelas beijas todas em festivas e cheias de serpentinas e brilhos... Daquelas que ficam todas em escaramanchu quando chegam ao coração... Daquelas mega-aniversariantes, tá a ver? Parabéns!

Sabes quem é o Guimarães? É aquele que te vai ao cu quando estás de parabéns! Muitos beijinhos e abraços da T. e do S.

Toda vaca de merda que eu sou que me esqueci de lhe dar os parabéns! Mas à la ver uma grande beija de parabéns atrasada e muito amor para minha amiga e bom dia também!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #21 (in homage to Monique)

Splitting a cosmopolitan (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #20

Sonic self-(de)fences (2008)
Acrílico sobre tela com som surround
Colecção do autor

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #19

Sneak peek at a brighter page (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #18

Closure (2008)
Acrílico ou fecho-ecler sobre tela
Colecção do autor