quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Onomatopeia plástica #37

I keep on making the same mistakes (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

Onomatopeia caminhante

Ainda que haja outros caminhos, há uns que continuamos a percorrer com mais insistência, porque neles encontramos sempre coisas anteriormente invisíveis... E o que nos parecia conhecido revela-se novo e a novidade reacende o entusiasmo do primeiro dia em que unimos dois pontos com o nosso movimento...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Onomatopeia fiducial

E quando há medos que nos circundam, há memórias que nos fazem esquecê-los e nos ajudam a restabelecer a confiança moribunda. Destas memórias, podem mostrar-se as palavras que as registaram:

"Pequena pedra preciosa... Se fosse mais pikena incrustava-o para andar sempre comigo!"

Obrigado, D... Obrigado pelo teu humor, pela tua presença energética, pela tua inteligência, pela tua cumplicidade...

"Gostava que fosses uma mala para te poder levar para todo o lado!"

Obrigado, N... Mesmo os trezentos quilómetros que te separam de mim não te afastam um milímetro...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Onomatopeia plástica #36


We match (2008)
Acrílico ou fósforos sobre tela
Coleção do autor

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Onomatopeia plástica #35

We're bigger when we're together (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

Onomatopeia plástica #34

Protection (2008)
Acrílico sobre tela
Coleção do autor

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Onomatopeia versejante

Poema criado às 12:57 de hoje:

Se há coisa na vida que se tem de aceitar
É que chupão não escolhe lugar



Há grandes verdades que nos saem assim: espontâneas e em rima...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Onomatopeia estética

William Hogarth's line of beauty and grace

Can beauty be found in all lines or is this the only line of beauty? Is there beauty in straight lines? Is beauty to be found strictly in lines? Is there anything that cannot be summoned up in lines? Aren't all lines beautiful? If you take an s line and turn in into a straight line, what happens to its beauty? Does a blind person think of worldly things in terms of beauty? Does a blind person know what a line is? What is the line of ugliness? What's beauty for? Does my line of beauty coincide with everyone else's line of beauty? Does it matter if it does? Does it matter if it does not? Are all questions about the line of beauty about beauty or about the line itself? 

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Onomatopeia viajante

Foram muitos os caminhos, mas poucas as horas para tanta vontade de continuar a viagem...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Onomatopeia assumida

Hoje em dia encontram-se em algumas livrarias, nomeadamente na Fnac e na Byblos, secções com o título "Literatura Gay". E, pergunto eu (e provavelmente muito mais gente com a mania de questionar o que vê por aí), o que faz um livro ser gay? O autor ser assumidamente gay? A temática ser entendida por alguém na livraria como gay? Ter personagens gays? Conter, nem que seja uma única vez, a palavra gay? Ter descrições de relações sexuais entre duas ou mais pessoas do mesmo sexo? Ser lido maioritariamente por um público gay?

Se calhar discutir o sexo dos livros é como discutir o sexo dos anjos, mas gostava de saber quais são os critérios para a atribuição de identidade sexual aos livros. É provável que esses critérios possam nortear o caminho de muita gente que anda por aí baralhada sem saber em que estante se incluir... Eu cá ficava nas estantes automáticas da Byblos... Não têm rótulos e incluem todo o tipo de livros, que se obtêm bastando digitar um numerozinho ou digitalizar um codigozinho de barras. O número é quase sempre menos redutor que o verbo...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Onomatopeia carpe noctem et diem

Tudo o que eu preciso está em momentos como estes...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Onomatopeia em tempo real

"olá filhote"

"P., anda pa casa..."

Soube tão bem... E tudo o resto pareceu menos importante, menos problemático, menos difícil...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Onomatopeia badalhoca


EU JAVARDOLAS ME CONFESSO! 

E mostro a quem quiser ver - e provavelmente a quem não quiser! - a sujidade acumulada atrás do meu fogão... Foi todo um mundo de massas ressequidas, pó, gordura e outros objetos asquerosos que se revelou a meus olhos. A javardice já foi limpa, mas a sua memória perdurará. Quem sua porcaria mostra, castigo não merece...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Onomatopeia coup de foudre

Tenho uma nova paixão! 

E é tão mais fácil termos paixões por objetos... Podemos amá-los à vontade, sem esperança de que eles nos amem de volta, sem esperar que nos retribuam em sentimentos... Queremos apenas que eles funcionem, que façam aquilo que está documentado no manual... 

Podemos amá-los só porque são belos e esquecer o seu interior, sem que nos atirem à cara que fazemos deles apenas objetos de prazer. 

Amo-te, Sony Ericsson W880i! És lindo, magro, esbelto, elegante, funcional, intuitivo, musical e cabes na minha mão como se a engenharia tivesse apenas tido em mente a nossa existência conjunta. Além de tudo isso, ainda serves de ponte entre mim e as minhas famílias: a de sangue e a que me adotou já depois da minha idade adulta. Através do amor que tenho por ti, tenho o amor deles sempre que eu quiser e eles têm o meu sempre que eles quiserem.

E, não sei bem porquê, esta lengalenga onomatopaica fez-me lembrar um poema de Herberto Helder, que não resisto a transcrever aqui na sua inteiridade...

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.

Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.

Onomatopeia mariana

Nossa Senhora AKA Virgem Maria AKA Mãe de Deus tem-se cruzado comigo nos últimos dias, quer sob a forma de miniescultura quer sob a forma de autocolante móvel quer sob a forma de cânticos de fazer arrepiar qualquer ateu como eu, que foi apenas duas vezes à missa em toda a sua vida e que nunca experimentou a sensação de comer o corpo de deus sob a forma de bolacha achatada de pão ázimo... As aparições não se deram na Cova da Iria nem o contexto político-sócio-cultural permite que eu me torne um caso de culto internacional, mas sinto-me privilegiado por, mesmo não sabendo pastorear, ter sido escolhido por tão alta divindade. E já que do conteúdo não sabemos nem temos nada para mostrar, aqui ficam captações gráficas da forma:

                    

P.S.: Gosto muito da moldurinha que o Blogger decidiu pôr nestas fotos... Acho que também aqui houve intervenção divina...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Onomatopeia heterovalorizada

- Se te acontecer alguma coisa, eu não sei o que faço da minha vida... Se tu desapareceres, eu também tenho de desaparecer...

- (didascália indizível)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Onomatopeia menstrual

- Eu adoro tampões. Os pensos são uma porcaria, fica tudo ensopado e começam a verter. Os tampões são uma maravilha, ficam lá dentro e adaptam-se.
- Mas os tampões não escorrem?
- Escorrem, mas não é como os pensos. Além disso, é sempre bom ter alguma coisa lá dentro que entra pequenina e depois incha.
- Iá...
- Se bem que no outro dia estava um tampão usado nojento na praia de Carcavelos, todo cheio de sangue.
- Se calhar ficou lá por causa do arrastão...
- Sim, no meio da confusão ficaram tampões, dentaduras...
- E outras próteses diversas.
- E depois com a maré baixa aparece tudo no meio da areia...

Onomatopeia advertente

Serve este pequeno post para informar os milhões de leitores deste famigerado blogue que a partir de hoje todos os textos nele apresentados usarão a grafia preconizada pelo Acordo Ortográfico de 1990. Razões pedagógicas prendem-se com esta decisão.

O Acordo tem os seus defeitos, pois que os tem, mas não tem mais que o seu irmão mais velho, nascido em 1945. O seu maior pecado é dizer-se uniformizador e depois não conseguir uniformizar coisa nenhuma: Querem um acento agudo? Então tomem lá um acento agudo! Querem um acento circunflexo? Então aqui o têm. São brasileiros? Então escrevam crise econômica! São portugueses? Então grafem crise económica! (A escolha deste exemplo é a minha contribuição política de hoje! Finalmente sou um bloguista de intervenção!)

E já nem falo nas regras para o uso do hífen... Só vos digo para terem medo e para evitarem tudo o que seja palavra hifenizada!

N.B.: Alguém notou diferença na grafia das palavras deste texto? Não? Então se calhar as diferenças não são assim tantas... Digo eu...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Onomatopeia joyeuse de vivre numéro 1

Tenho um fascínio por material de escritório... É verdade... Adoro lápis, canetas, agrafadores, furadores, x-atos, borrachas, afias, marcadores de várias cores, recargas, blocos, cadernos, transferidores, clips, pioneses, compassos, réguas, lápis de cor, canetas de feltro, papel-cavalinho, papel vegetal, papel de lustro... Sinto-me exultante quando me passeio sem propósito na Papelaria Fernandes, nos corredores dos hipermercados onde tudo se dependura e convida ao manuseamento e trasladação para o carrinho das compras, nessa grande meca do stationery que é a Staples Office Centre, até nas pequenas papelarias onde o ruído das Hello Kitties e das Puccas esconde esse mundo fascinante dos pequenos objectos do economato. Arranjo mil desculpas para usar aquele lápis cor-de-laranja fluorescente especial da Staedtler, compro afia-lápis à medida para ele (daqueles com dois orifícios para lápis de circunferências diferentes), percorro lojas atrás de lojas para encontrar as recargas ideais para a caneta que considero perfeita, guardo uma esferográfica da Rotring há anos para a qual não consigo encontrar recargas em lado nenhum... Não sei bem porquê... Também não me apetece pensar nisso... Gosto. Ponto.

Onomatopeia dialogante

- A maionese é badocha!
- Mas esta maionese é magra.
- Magra sou eu e não estou à venda em frascos no Continente.


- Porque é que pões as almofadas encostadas à parede?
- É para a cama respirar...


- Qual é a tua cor preferida para lençóis?
- .....................
- Não tens uma cor preferida para lençóis?
- .....................
- Mas tens de pensar assim tanto para responder?
- .....................