Foram muitos os caminhos, mas poucas as horas para tanta vontade de continuar a viagem...quinta-feira, 14 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Onomatopeia assumida
Hoje em dia encontram-se em algumas livrarias, nomeadamente na Fnac e na Byblos, secções com o título "Literatura Gay". E, pergunto eu (e provavelmente muito mais gente com a mania de questionar o que vê por aí), o que faz um livro ser gay? O autor ser assumidamente gay? A temática ser entendida por alguém na livraria como gay? Ter personagens gays? Conter, nem que seja uma única vez, a palavra gay? Ter descrições de relações sexuais entre duas ou mais pessoas do mesmo sexo? Ser lido maioritariamente por um público gay?
Se calhar discutir o sexo dos livros é como discutir o sexo dos anjos, mas gostava de saber quais são os critérios para a atribuição de identidade sexual aos livros. É provável que esses critérios possam nortear o caminho de muita gente que anda por aí baralhada sem saber em que estante se incluir... Eu cá ficava nas estantes automáticas da Byblos... Não têm rótulos e incluem todo o tipo de livros, que se obtêm bastando digitar um numerozinho ou digitalizar um codigozinho de barras. O número é quase sempre menos redutor que o verbo...
Se calhar discutir o sexo dos livros é como discutir o sexo dos anjos, mas gostava de saber quais são os critérios para a atribuição de identidade sexual aos livros. É provável que esses critérios possam nortear o caminho de muita gente que anda por aí baralhada sem saber em que estante se incluir... Eu cá ficava nas estantes automáticas da Byblos... Não têm rótulos e incluem todo o tipo de livros, que se obtêm bastando digitar um numerozinho ou digitalizar um codigozinho de barras. O número é quase sempre menos redutor que o verbo...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Onomatopeia em tempo real
"olá filhote"
"P., anda pa casa..."
Soube tão bem... E tudo o resto pareceu menos importante, menos problemático, menos difícil...
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Onomatopeia badalhoca
EU JAVARDOLAS ME CONFESSO!
E mostro a quem quiser ver - e provavelmente a quem não quiser! - a sujidade acumulada atrás do meu fogão... Foi todo um mundo de massas ressequidas, pó, gordura e outros objetos asquerosos que se revelou a meus olhos. A javardice já foi limpa, mas a sua memória perdurará. Quem sua porcaria mostra, castigo não merece...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Onomatopeia coup de foudre
Tenho uma nova paixão! E é tão mais fácil termos paixões por objetos... Podemos amá-los à vontade, sem esperança de que eles nos amem de volta, sem esperar que nos retribuam em sentimentos... Queremos apenas que eles funcionem, que façam aquilo que está documentado no manual...
Podemos amá-los só porque são belos e esquecer o seu interior, sem que nos atirem à cara que fazemos deles apenas objetos de prazer.
Amo-te, Sony Ericsson W880i! És lindo, magro, esbelto, elegante, funcional, intuitivo, musical e cabes na minha mão como se a engenharia tivesse apenas tido em mente a nossa existência conjunta. Além de tudo isso, ainda serves de ponte entre mim e as minhas famílias: a de sangue e a que me adotou já depois da minha idade adulta. Através do amor que tenho por ti, tenho o amor deles sempre que eu quiser e eles têm o meu sempre que eles quiserem.
E, não sei bem porquê, esta lengalenga onomatopaica fez-me lembrar um poema de Herberto Helder, que não resisto a transcrever aqui na sua inteiridade...
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Onomatopeia mariana
Nossa Senhora AKA Virgem Maria AKA Mãe de Deus tem-se cruzado comigo nos últimos dias, quer sob a forma de miniescultura quer sob a forma de autocolante móvel quer sob a forma de cânticos de fazer arrepiar qualquer ateu como eu, que foi apenas duas vezes à missa em toda a sua vida e que nunca experimentou a sensação de comer o corpo de deus sob a forma de bolacha achatada de pão ázimo... As aparições não se deram na Cova da Iria nem o contexto político-sócio-cultural permite que eu me torne um caso de culto internacional, mas sinto-me privilegiado por, mesmo não sabendo pastorear, ter sido escolhido por tão alta divindade. E já que do conteúdo não sabemos nem temos nada para mostrar, aqui ficam captações gráficas da forma:
P.S.: Gosto muito da moldurinha que o Blogger decidiu pôr nestas fotos... Acho que também aqui houve intervenção divina...
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Onomatopeia heterovalorizada
- Se te acontecer alguma coisa, eu não sei o que faço da minha vida... Se tu desapareceres, eu também tenho de desaparecer...
- (didascália indizível)
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Onomatopeia menstrual
- Eu adoro tampões. Os pensos são uma porcaria, fica tudo ensopado e começam a verter. Os tampões são uma maravilha, ficam lá dentro e adaptam-se.
- Mas os tampões não escorrem?
- Escorrem, mas não é como os pensos. Além disso, é sempre bom ter alguma coisa lá dentro que entra pequenina e depois incha.
- Iá...
- Se bem que no outro dia estava um tampão usado nojento na praia de Carcavelos, todo cheio de sangue.
- Se calhar ficou lá por causa do arrastão...
- Sim, no meio da confusão ficaram tampões, dentaduras...
- E outras próteses diversas.
- E depois com a maré baixa aparece tudo no meio da areia...
- Mas os tampões não escorrem?
- Escorrem, mas não é como os pensos. Além disso, é sempre bom ter alguma coisa lá dentro que entra pequenina e depois incha.
- Iá...
- Se bem que no outro dia estava um tampão usado nojento na praia de Carcavelos, todo cheio de sangue.
- Se calhar ficou lá por causa do arrastão...
- Sim, no meio da confusão ficaram tampões, dentaduras...
- E outras próteses diversas.
- E depois com a maré baixa aparece tudo no meio da areia...
Onomatopeia advertente
Serve este pequeno post para informar os milhões de leitores deste famigerado blogue que a partir de hoje todos os textos nele apresentados usarão a grafia preconizada pelo Acordo Ortográfico de 1990. Razões pedagógicas prendem-se com esta decisão.
O Acordo tem os seus defeitos, pois que os tem, mas não tem mais que o seu irmão mais velho, nascido em 1945. O seu maior pecado é dizer-se uniformizador e depois não conseguir uniformizar coisa nenhuma: Querem um acento agudo? Então tomem lá um acento agudo! Querem um acento circunflexo? Então aqui o têm. São brasileiros? Então escrevam crise econômica! São portugueses? Então grafem crise económica! (A escolha deste exemplo é a minha contribuição política de hoje! Finalmente sou um bloguista de intervenção!)
E já nem falo nas regras para o uso do hífen... Só vos digo para terem medo e para evitarem tudo o que seja palavra hifenizada!
N.B.: Alguém notou diferença na grafia das palavras deste texto? Não? Então se calhar as diferenças não são assim tantas... Digo eu...
O Acordo tem os seus defeitos, pois que os tem, mas não tem mais que o seu irmão mais velho, nascido em 1945. O seu maior pecado é dizer-se uniformizador e depois não conseguir uniformizar coisa nenhuma: Querem um acento agudo? Então tomem lá um acento agudo! Querem um acento circunflexo? Então aqui o têm. São brasileiros? Então escrevam crise econômica! São portugueses? Então grafem crise económica! (A escolha deste exemplo é a minha contribuição política de hoje! Finalmente sou um bloguista de intervenção!)
E já nem falo nas regras para o uso do hífen... Só vos digo para terem medo e para evitarem tudo o que seja palavra hifenizada!
N.B.: Alguém notou diferença na grafia das palavras deste texto? Não? Então se calhar as diferenças não são assim tantas... Digo eu...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Onomatopeia joyeuse de vivre numéro 1
Onomatopeia dialogante
- A maionese é badocha!
- Mas esta maionese é magra.
- Magra sou eu e não estou à venda em frascos no Continente.
- Porque é que pões as almofadas encostadas à parede?
- É para a cama respirar...
- Qual é a tua cor preferida para lençóis?
- .....................
- Não tens uma cor preferida para lençóis?
- .....................
- Mas tens de pensar assim tanto para responder?
- .....................
- Mas esta maionese é magra.
- Magra sou eu e não estou à venda em frascos no Continente.
- Porque é que pões as almofadas encostadas à parede?
- É para a cama respirar...
- Qual é a tua cor preferida para lençóis?
- .....................
- Não tens uma cor preferida para lençóis?
- .....................
- Mas tens de pensar assim tanto para responder?
- .....................
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Onomatopeia miraculosa
Hoje assisti ao milagre da transformação física da urina!!!!Antes disso, ainda consegui realizar o milagre de não entornar uma única pinga para fora do recipiente e depois consegui o milagre de não perceber que era para deixar o recipiente no carrinho e não no cantinho, pelo que a minha urina teve exposição pública no canto do balcão durante, no mínimo, 15 segundos.
E depois... Depois foi como se a graça divina se tivesse abatido sobre mim quando me disseram "a sua urina está boa" e ma entregaram em forma gráfica e numérica!
Não sei como o fizeram, mas alguém naquela clínica devia ser canonizado.
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabbaoth; Pleni sunt caeli et terra gloria Tua. Hosanna in excelsis.
Onomatopeia vidente
Eu tenho um amigo que me ama
Que me ama, que me ama
Eu tenho um amigo que me ama
Seu nome é Mamadu!
Que me ama, que me ama
Eu tenho um amigo que me ama
Seu nome é Mamadu!
E depois deste pequeno intróito musical, ficam por responder algumas questões:
1- O que é um Dom Herditário?
2- O que é uma doença espiritual?
3- Desde quando é que a sorte ao jogo é um problema?
4- Em que casos é que a protecção pode ser um problema?
5- Com que tipo de algemas, cola ou fita-cola se prende uma vida nova?
terça-feira, 22 de julho de 2008
Onomatopeia exorcizante
mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºae mºae mºae mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºae mãe mºãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºae ãem º~ma mãe mãe mãe mãe mãe mãe mºaer ºmae mãe m,ºaem ºmae ºmae çmae ~maeºmaeº ame ~mae ñmae mºãe mºãem mãe mãem mãe mºmae mãe ma~e nºae nºaenm mãe mae mãe nãe mãe mãe mºãe mºaemº ºmae mãe mãe mºae mãe mãe mãe mãe mãe mãe ma~e mãer mºae mãe mãe
Onomatopeia esborralhada
Qual é o cúmulo da decadência à hora do almoço?
Eu já sei qual é... É deixar cair a cabeça num prato cheio de massa com molho de tomate. E tenho testemunhas... Testemunhas incrédulas que viram o episódio com os próprios olhinhos que a terra há-de comer.
Vou só ali tirar um pedaço de tomate-cherry do nariz e já venho...
Eu já sei qual é... É deixar cair a cabeça num prato cheio de massa com molho de tomate. E tenho testemunhas... Testemunhas incrédulas que viram o episódio com os próprios olhinhos que a terra há-de comer.
Vou só ali tirar um pedaço de tomate-cherry do nariz e já venho...
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Onomatopeia cristicida
- Eu sou o caminho, a verdade e a vida!
- Estou de saltos altos. Há caminhos que não consigo fazer...
- Estou de saltos altos. Há caminhos que não consigo fazer...
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Onomatopeia virginal
- Bom dia. É um café, se faz favor. E são dois destes bolos. Quanto é?
- Dois euros e três cêntimos.
(Entrega nota de cinco euros e procura moedas na carteira.)
- Eu tenho os três. Quer?
- Não, obrigado.
- Dois euros e três cêntimos.
(Entrega nota de cinco euros e procura moedas na carteira.)
- Eu tenho os três. Quer?
- Não, obrigado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


