quinta-feira, 3 de julho de 2008

Onomatopeia vanitas et omnia vanitas

Às vezes a morte e os seus despojos estão mais perto do que julgamos. Quando o nosso refúgio se torna o último abrigo para asas cansadas, não há nada de macabro nisso. Já posso dizer que vivi num jazigo e não tive medo. Quando se começa a limpeza de coisas passadas, há esqueletos que inevitavelmente se descobrem...

May his flying soul rest in peace, for now it has no need for wings for its flight...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Onomatopeia vaginítica

Hoje só tenho três palavras para o mundo (são três porque o pronome pessoal oblíquo é átono, logo não tem vida própria):

Photobucket

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #24

Dial 911 in case of emergency (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica op. 23

Solo piece in one octave (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #22

Cara-metade (2008)
Fotocópia a cores sobre tela
Colecção do autor

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Onomatopeia dacriorreica

O vento a deslizar as árvores, o vento e o sol juntos a castigarem os carvalhos, as laranjeiras, os jacarandás, e eu na janela, a reparar nas manchas e no pó que se acumulou. "Sai daí, por favor, sai daí... desce...", a mesma janela, a mesma sala, mas numa hora e num dia diferentes, porque o tempo também é castigado e nós por ele. Eu, eu outra vez aos 12 anos, eu outra vez a ter medo do mundo, do mundo para lá da porta, a porta antes da fera que me ia comer porque não havia maneira de me defender da inevitabilidade do exterior. "Nem que fosses o último homem do mundo", outras palavras, a caminhada por cima do cascalho até chegar à estrada, dessa vez acompanhado, uma grande parte das vezes sozinho, sempre a olhar pelo ombro, sempre a recear a voracidade das feras, porque as bestas quando se soltam são esquivas e escondem-se para melhor agarrar a presa. Eu de olhos no chão, a ver o movimento das pedras, o som das pedras, o meu som nas pedras, o som que não queria ouvir das pedras dos outros... "Quero chegar a casa, quero fechar-me", não quero saber que há vida para lá da porta pesada que se fecha com quatro voltas de chave, e não quero correr, mas quero correr, porque se correr chego mais depressa e mais depressa esta hora passará para outra hora em que não há pedras, só eu e as paredes da minha fortaleza. (E tu, agora aí, deitado, tu agora aí, e eu sem saber porquê, sem saber porque quero sair mas quero ficar e agarrar-te, e nunca mais te deixar sair de mim, e tu agora aí, sem saber a razão das minhas lágrimas, sem saber que inundei a casa com os meus olhos, que os meus olhos vêem melhor agora apesar de turvos e salinos.) Pela primeira vez separo o trigo do joio, pela primeira vez aperto as verdades contra as incertezas. A campainha, a campainha a tocar para fazer a recolha, a paz perfeita do único refúgio na imensidão dos edifícios, a paz perfeita depois da fuga, no mato que era cerrado e arranhava as pernas, os braços, que deixava marcas na cara e nos olhos, e nas palavras que não saíam de mim mas saíam dos outros, e nos gestos que sentia de fora e que não saíam de dentro. (Sim, não sabes, mas dói tanto agora, dói tanto como doeu na altura, dói tanto porque as feridas abriram outra vez, e eu outra vez desprotegido, e eu outra vez minúsculo no meio dos gigantes, e eu outra vez sem braços à volta, outra vez apertado em mim mesmo.) E o reflexo dos espelhos a responder o que não queria, e eu a evitar o reflexo e a tentar escapar à Medusa, e as serpentes sempre a provocarem, e as vozes de que tinha medo, que se transformavam em gestos e violência, em golpes, e a misericórdia que nunca chegava, a bonança que nunca vinha depois da tempestade. Ainda oiço os trovões, lá ao longe, mas ainda os oiço, à parte de mim, mas de vez em quando a tonitruância aproxima-se e a dor aumenta com o som, ainda que os relâmpagos sejam menos nítidos com todos os filtros da consciência... (Toco-te para te sentir respirar, tu aí que me salvas quando te aproximas, quando as tuas mãos se tocam atrás de mim, e eu respiro de alívio durante uns momentos em que não há memórias nem palavras reminiscentes, apenas a minha cabeça escondida entre o teu rosto e os teus ombros, entre o tecido e a tua pele, entre o calor do teu corpo e a salinidade das minhas lágrimas.)

sábado, 21 de junho de 2008

Onomatopeia parabenizada

Pérolas literárias via serviço de mensagens curtas:

Claro que são os parabéns, meu amor das nhas entranhas demoníacas! Parabéns em todo tu até nos refegos entranhados do teu ser rumo todo lá dentro! Amo-te e amo-te e amo-te e amo-te e beijos e guinchos e borradelas do esforço e confétis e tutus e fadas porcalhonas a oferecer a nêspera a todo e qualquer transeunte! Parabéns!

D. manda beijas... Daquelas beijas todas em festivas e cheias de serpentinas e brilhos... Daquelas que ficam todas em escaramanchu quando chegam ao coração... Daquelas mega-aniversariantes, tá a ver? Parabéns!

Sabes quem é o Guimarães? É aquele que te vai ao cu quando estás de parabéns! Muitos beijinhos e abraços da T. e do S.

Toda vaca de merda que eu sou que me esqueci de lhe dar os parabéns! Mas à la ver uma grande beija de parabéns atrasada e muito amor para minha amiga e bom dia também!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #21 (in homage to Monique)

Splitting a cosmopolitan (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #20

Sonic self-(de)fences (2008)
Acrílico sobre tela com som surround
Colecção do autor

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #19

Sneak peek at a brighter page (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #18

Closure (2008)
Acrílico ou fecho-ecler sobre tela
Colecção do autor

terça-feira, 17 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #17

Lei-Quadro (2008)
Decalque sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #16

Clean cut wrists (2008)
Sangue e acrílico sobre tela
Colecção do autor

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #15

Bliss is what lies beyond (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #14

Sleeping back to back (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

domingo, 15 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #13

91% compatible (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

terça-feira, 10 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #12

Blood still spills when I tape my wounds (2008)
Acrílico e fita-cola sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #11.2

...when you're there (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #11.1

I miss you... (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #10 (in homage to Tina and Saló)

Red Bule (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #9

I make mistakes (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor e de outras pessoas na sua vida

terça-feira, 3 de junho de 2008

Onomatopeia plástica #8

The line of beauty turns into the line of fear (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Onomatopeia esfuziante

ELE VEM CÁ, ELE VEM CÁ, ELE VEM CÁ! (Ele é o Herr Stephan Bodzin e cá é o Domus.)

Entre o caos esmagador das camadas sonoras e a repetição hipnótica de padrões... Será que ao vivo as sensações são as mesmas? Ao morto, parece não haver outro mundo para além daquele...

Onomatopeia pupila

E apesar de o dia ainda nem sequer ir a meio, hoje já aprendi que quem tem pés pequenos é desequilibrado e instável, que as pessoas estáveis e equilibradas não têm nada de especial, que os pombos e os ratos dariam melhor combustível que os porcos, que há libaneses que uma vez por ano limpam as paredes do intestino, que a batata doce pode ser agridoce... Tenho esperança que depois do programa de rehab que hoje se inicia aprenda ainda mais coisas com igual nível de importância...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Onomatopeia felina


Nesta altura tinha
sete vidas....

Agora tenho menos umas quantas,
mas quero aquele sorriso
de volta...

Ainda que sem os dentes todos...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Onomatopeia cum cerebro mortuo

- Eu sou dual, sabias? Sou binário...
- Ai és?
- Sim. Não vês os meus olhos vermelhos e os meus cabelos brancos?
- Hã?
- Como é que se chamam as pessoas que têm os olhos vermelhos e os cabelos brancos?
- Hmmm... Albinas?
- Isso... Então sou albinário...



- Dói-me o cérebro...
- Como é que sabes que é o cérebro?
- Porque é debaixo do cabelo... Acho que não tenho mais nada nessa zona.



- Gostavas de ter uma sobrinha só para ti?
- Não... Eu gosto de ter sobrinhas só de vez em quando...
- Mas podias ter... Eu ia lá a casa dar-lhe de comida quando fosses de férias.



1- Por falar em Goro-Koko, há bocado, quando passei no corredor, estava um garnisé a cantar...
2- A cantar o quê?
3- Um garnisé? Onde? Numa das salas?
1- Não, quando passei na sala do Hugo.
2- Gustavo? Quem é o Gustavo?
1- P., tira isso das orelhas... Vais ver que passas a ter uma percepção completamente diferente do mundo.
2- Isto está desligado... Mas o garnisé estava a cantar para o Gustavo?



- Isso é a Alípia.
- Quem?
- Afonsa? Será Afonsa?
- Quem??????
- Alipária?
- Que é que se passa contigo?
- O meu número de telefone é tal e o número de telefone do meu amigo é tal e tal...
- Adília Lopes?
- Isso!

domingo, 25 de maio de 2008

Onomatopeia sentenciosa

Frases-chave de um dia que seria melhor se passado noutro lugar qualquer, mas que seria muito pior sem elas:

"Todas as esquinas do mundo são pastelarias."

"Sexo no tapete da sala não é radical, mas no dia a seguir dói como se fosse..."

"- Carolina, olha os cocós!"

"Eu quero comer, comer perdidamente... Este, aquele, o outro e toda a gente!"

"- Porque sabes?
- Eu sei a mirtilo."

"Queres que eu lhe leve a bexiga ou queres que eu lhe peça para ele vir cá?"

"1.º Interlocutor: Há tanto tempo que não vejo neve.
2.º Interlocutor: Até parece que costumas ir a Genève muitas vezes.
3.º Interlocutor: Eu já fui a Genève. Tem cisnes maus."

Onomatopeia arriscada

Há perigos que se encontram onde menos se espera...

sábado, 24 de maio de 2008

Onomatopeia sufragista (adenda)

E outros possíveis nomes artísticos surgiram entretanto:

Beta Dine

Beta Raba

Pam Plona

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Onomatopeia sufragista

E como a noite do Lugar às Novas devia ser um momento especial na vida de todos nós (para os amantes de Sodoma, Gomorra e não só), eu tenho andado a pensar em nomes para atribuir à minha persona transformista. Para já só tenho três, mas queria saber as opiniões dos demais. And the nominees are:

Ana Purna

Cátia Mandu

Maria Oneta

Também gosto de Bang Bang Ladesh, mas houve uma Nova mais velha que se adiantou...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Onomatopeia na terceira pessoa

She leaned on his chest, opened her mouth as if she was about to say something but no words came out... He was staring at the wall, hypnotized by an emotion he was not able to deal with. With some effort she started talking, even though she was not certain her words would reach his ears. At least his heart beat was there, his skin was under her head, and that was all she needed to continue:

- I won't let go of myself because I don't know you'll be there to grab me... I can fall on my own, I can land on my feet or on my head, but I'll never know if you are willing to scratch yourself a little bit to prevent my wounds... So, in the meantime, there will be pieces of me that scatter into trust, but they will never come together to throw themselves from the edge. I am much older now than I can take, much older in my thoughts, much older in my senses, much older in the way I recognize events and situations. I can see through people, through gestures, through words, through looks... But even if I can see through you, I will never have my reflection shown in what you are. I can't run away from you, so I'll just walk backwards slowly until the horizon has swallowed you and you'll be no more than a setting sun you'll always remember for its beauty...

Onomatopeia gastronómica

Ontem a minha imaginação desenhou o menu perfeito, mas a hora tardia e a escassez de ingredientes nos estabelecimentos comerciais desta cidade não permitiram que se realizasse a sua atempada degustação. Registo-o aqui para que sirva de lembrete para um futuro próximo em que os astros se alinhem com as horas e com os fornecedores dos mercados, mercearias, centros comerciais e afins.

Folhados com queijo de cabra e doce de frutos silvestres
Sopa de abóbora com feijão
Alheira com grelos e batatas assadas no forno
Feijoada de chocos
Tarde de limão merengada

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Onomatopeia acrobata

Descobri hoje que consigo fazer maravilhas com outros apêndices que não as minhas próprias mãos. Escrevi meio sms com a ponta do nariz. Se praticar, um dia destes vou conseguir escrevê-los na sua inteiridade e enviá-los para múltiplos destinatários. Quem sabe comece também uma fundação para artistas com narizes sobredotados... ou para artistas sobredotados com narizes... ou para sobredotados artistas com narizes... ou para sobredotados com narizes artistas... Tenho de tomar uma decisão, mas até lá vou praticando. Para quem quiser saber, o texto escrito à moda de Bergerac foi "Ola tudo".

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Onomatopeia mórbida

- Às vezes tenho vontade de matar alguém...
- Às vezes tenho vontade de morrer. Matas-me?
- Se morreres, eu tenho de morrer também...

Onomatopeia integrante

A piece of me in a piece of art

Exposição Júlio Pomar - Cadeia da Relação (Fundação de Serralves)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Tetraonomatopeia

Na sucessão dos números, na abstracção das ideias que quantificam o tempo, nada melhor do que uma limpeza a fundo para revermos o brilho que se perdeu. Eu sei que ele lá está, só tenho dificuldade em remover a camada de poeira que se acumulou devido à falta de manutenção... Preciso de alguma ajuda, mas por vezes tenho receio de demonstrar essa necessidade e fico à espera que os indícios sejam suficientes... Se tenho de começar um processo provavelmente doloroso, quero fazê-lo acompanhado por quem me tem acompanhado nessa sucessão temporal que são os meus dias e as minhas noites. É por esses "quens" que fazem parte do que sou que começo a limpeza. Por todos aqueles que já passaram a barreira dos quatro e por aqueles que o estão a fazer agora... Tenho saudades de mim antes de ser quem sou, mas hei-de reconquistar o meu reino...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Onomatopeia frutescente

Hoje andei de mãos dadas com uma casca de banana. O romance foi curto e platónico, mas foram momentos de grande enlace e cumplicidade enquanto percorríamos as ruas nauseabundas e encardidas desta cidade além-Praça do Chile. Foi um amor proibido, socialmente incorrecto e incompreendido, mas ignorámos os olhares surpreendidos e reprovadores dos transeuntes. Tivemo-nos por completo e, durante os breves minutos em que estivemos juntos, fomos seres menos sós no emaranhado universal. Como todos os romances, teve um fim - confesso que algo abrupto e sórdido -, mas senti-me acompanhado e protegido enquanto passeava a minha casca vistosamente amarela, cujo conteúdo, previamente deglutido em público sem sinais de lubricidade dúbia (tenho regras de etiqueta para a deglutição pública de alimentos fálicos), tinha atingido o estado perfeito de maturação. Já não há romance, já não há resquícios do amor que tive por ela, mas tenho-a no arquivo memorial dos momentos perfeitos que não se querem esquecer. Peguei-te, trinquei-te, passeei-te, amei-te e meti-te no lixo...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Onomatopeia bonançosa

Quero ver os jacarandás contigo agora, quando derem flor e depois de terem perdido todas as folhas, todas as flores, todos os ramos, e apenas restarem os indícios das raízes que os alimentaram. Seremos talvez menos longevos que as árvores, mas poderão ser elas as testemunhas do nosso enraizamento... Porque elas sabem o que é beber do solo e não o esgotar, o que é usar a luz do sol e não obscurecer o que as rodeia...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Onomatopeia teleonómica cap. 1 (continuação)

1.2 Ambiguidade das enunciações

Não me esfregues com a banana.

1.3 Inauditismo das comparações

É como substituir uma coisa anal por uma coisa análoga.

1.4 Impossibilidade da realização de desejos

Se eu fosse uma estrela, eu era um monte de Vénus.

Onomatopeia avoenga

You are a part of me that I miss...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Onomatopeia plástica #7

Trying to be the bright yellow me underneath you (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Onomatopeia imperfeita

Today has been the most unperfect day of all days... Just the half of me, just the half of everything, just the half of joy... I'll try to get used to my halves, to my unperfect days, but something tells me all days from now on will seem blurred in comparison to some recent perfect moments. Main feelings at the moment: homeless in my own home, lifeless in my own life... In the meantime I am a blood shot in a white canvas. At least I sound less perfect as a piece of art than as a piece of a person...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Onomatopeia teleonómica cap. 1

Algumas razões para gostar das pessoas de quem gosto:

1 Originalidade da eloquência

1.1. Utilização de conceitos que geralmente não se encontram associados

Não tenho boas memórias do meu cu.

Onomatopeia plástica #6

Your ass against my stomach on blue cotton sheets (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Onomatopeia acidentada

Sometimes I am a complete wreck...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Onomatopeia plástica #5 (dedicada a um pequeno deus)

Perspectivas baralhadas (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia pós-lembrete #1 #3 (dos métodos e das técnicas)

A descrição da obra de arte enquanto objecto artístico per se:
Exposição Júlio Pomar - Cadeia da Relação (Fundação de Serralves)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Onomatopeia plástica #4

cRying Over dYnamic unaGgressive stainaBle spIlled Voids (2008)
Acrílico sobre tela, com reprodução de onda sonora do tema ROYGBIV dos B.O.C.
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #3

Displaced (with imaginary undisplaced axis) (2008)
Acrílico sobre telas
Colecção do autor

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Onomatopeia plástica #2

The Doubt Clipper (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia plástica #1

Distância (2008)
Acrílico sobre tela
Colecção do autor

Onomatopeia GPS (a.k.a. plástica #0)

Perhaps we'll meet somewhere in the intersections of the space between us... (2008)
Guardanapo branco impresso em impressora de jacto de tinta colado sobre tela
Colecção do autor

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Onomatopeia pseudolúbrica


Há uma cadeia de clínicas dentárias que escolheu este logótipo para a representar. Talvez tenham pensado que a sugestão implícita pudesse servir como lenitivo para o medo que a maior parte das pessoas tem dos dentistas. Pelo sim pelo não, vou manter-me afastado. Há situações em que as ambiguidades não são de todo desejáveis...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Onomatopeia aléxica

Perdi as palavras... Não sei onde as deixei, mas não as consigo encontrar em nenhum lado. As que encontro não parecem encaixar umasnasoutras. As que invento não são apropriadas para nenhum sentimento, nenhuma situação, nenhuma realidade... Pressinto que as encontrarei eventualmente, mas há um espaço entre mim




e elas que persiste em se manter dificilmente transponível. Mas como eu sou
persistente
persistente
persistente
persistente
persistente
persistente
persistente
persistente
persistente,
sei que brevemente serão elas que me encontrarão. As palavras têm variações, vontades próprias, significados para lá dos significantes... E também elas têm vontade de




solidão




de afas
tam
ento,


de auto-envolvência auto-envolvência auto-envolvência
auto-envolvência auto-envolvência auto-envolvência
auto-envolvência auto-envolvência auto-envolvência. Enquanto não as reencontrar, talvez me reencontre no silêncio ou no
Photobucket
da ausência verbal...

terça-feira, 8 de abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Onomatopeia contrastante

"Eu sou uma noite que quer ser dia e não consegue; tu és um dia cheio de sol."

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Onomatopeia pós-lembrete #1 #2 (almoço urbano contemporâneo)

O som - sem fúria - nos objectos, o emaranhado de materiais e de formas, a monumentalidade dos volumes e do movimento, as patologias enquanto génese de criação, a interacção táctil - autoforçada ou permitida - entre visitante e peça, os resquícios de criações passadas como objecto actual exibível, o mergulho na escuridão enquanto metáfora para o mergulho aquático, a existência do labirinto que se miniaturiza e reconstrói... E a hora de almoço hoje foi mais do que apenas frango de caril requentado: obra de arte para o estômago, mas efémera por definição...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Onomatopeia hercúlea

Um medo que ficou para trás... Restam ainda outros medos, os quais, sem dúvida alguma, se cindirão brevemente... Mas, enquanto não passarem pelo momento da cisão, partilho-os para que o seu peso seja mais atómico e menos molecular... Agarrei-te a mão e não te largo... E vou apertar com a força que for necessária para te suster cá em cima. Às vezes tenho mais força do que aparento...

Onomatopeia autocorrosiva

E de repente um medo devorador instalou-se por aqui... Um medo de perder o que conquistei há pouco tempo, um medo de voltar à caverna onde demasiadas vezes me refugiei... Não vou deixar que o medo me entorpeça e me deixe sem reacção... Quero acreditar que é só isso, que é só medo, mas a minha parte racional pondera outros cenários em que o medo se torna concreto, apesar de inicialmente apenas visível à luz do microscópio... Não quero perder tudo o que tenho de grande porque posso ter ganho o que de mais pequeno existe no reino orgânico...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Onomatopeia lembrete #2

Mais nomes, mais coisas, mais vida...

Onomatopeia na corda bamba

Não percebo se o equilíbrio que tenho agora é artificial ou se as suas bases estão ainda assentes sobre lodo que demora a transformar-se em terra firme... Sei que hoje estou a tentar não deixar que esse equilíbrio seja afectado pela avalanche de números que me caiu em cima. Esperemos que esta avalanche seja apenas a revolução que falta para que finalmente possa ter a serenidade material que nunca almejei mas que já começo a merecer... In need of my own private big bang...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Onomatopeia pós-lembrete #1 #1 (things I have learned in between)

(The Fall of) Frances Stark


"The only thing that consoles you
when you do the stupid things you do
is the praise you always give
yourself for all the things you do"

Or something like that... Confiei na minha memória, mas há memórias das quais devemos desconfiar. No entanto, acho que descobri um mote para a minha vida... Se cair, vou vangloriar a minha queda apenas porque fui eu que caí.


Portishead

"Se ela desse um peido, toda a gente aplaudia na mesma."





É provável que sim, mas com tanto barulho foi difícil de confirmar se a sra. Beth foi aplaudida pela voz se pelo talento das suas bactérias intestinais...

Onomatopeia vulnerável...

E ontem houve uma lágrima que se escapou no metro enquanto ouvia estas palavras... Ao menos fiquei a saber que afinal tenho lágrimas escondidas algures cá dentro...

"Je sais que tu reviens de loin
Que peut-être tu n'iras pas plus loin
Disons qu'ici c'est bien
Nous ne nous verrons pas demain

On s'est dit qu'on s'était tout dit
Je crois même qu'on a ri
J'ai beau serré ta main
Nous ne nous verrons pas demain

Une heure légère et douce...
Comme l'eau et comme l'air...
Oh, douce et légère...
Comme la mousse sur ta bière...

Je m'enroule au plus près de toi
Tu dis que tu as froid
Je souffle sur tes mains
Qui d'autre m'aimera demain ?

Tu me caresses une dernière fois
Je tremble autant que toi
Ça fait un mal de chien
Qui d'autre m'aimera demain ?

Une heure légère et douce...
Comme l'eau et comme l'air...
Oh, douce et légère...
Comme la mousse sur ta bière...

Qui se souviendra de ta voix ?
De ta peau et de tes doigts ?
Je m'accroche à ton bras
Qui d'autre m'aimera comme ça ?

Je coupe une mèche de tes cheveux
Je te recoiffe un peu
J'embrasse ton front froid
Qui d'autre m'aimera comme toi ?

Toi, légère et douce
Comme l'eau, comme l'air,
Oh douce et légère
Comme la mousse sur ta pierre."

Berry, Plus loin, do álbum Mademoiselle

quinta-feira, 27 de março de 2008

Onomatopeia lembrete #1

Os nomes das coisas que quero incluir na minha vida nos próximos tempos:

     Portishead                     Coeurs

                      I'm Not There

            Vieira da Silva - Un Élan de Sublimation                        Ricardo Jacinto

                              Revolução Cinética

             Alvess

      Júlio Pomar - Cadeia da Relação

     Jazzanova     Alex Gopher

                  Beirut

                             The Chromatics           Frances Stark


terça-feira, 25 de março de 2008

Onomatopeia egocêntrica

Em busca de definições de mim próprio através das definições dos outros.

Eu sou...

E agora quem me conhece que acabe a frase.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Onomatopeia sem reticências

E já está... Já disse... E só custou antes de o dizer... Depois pareceu que todo o medo desaparecera... Não sei se para sempre... Mas deixei de recear as incertezas... Porque há certezas que abafam tudo... Ainda tenho medo das palavras... Por isso as escolho com cuidado... Por isso selecciono as que poderão ser menos volúveis... Digo pouco, mas farei muito mais do que digo... E foi pouco o que disse... Mas era tudo o que queria dizer... E não houve nem outra luz nem outra hora nem outra imagem que pudesse ter acompanhado o que disse... Até o silêncio estava do meu lado...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Onomatopeia renascida

Em época de celebrações pascais, a Fénix pode ser um ovo de chocolate... A sua morte e ressurreição não salvam a humanidade, mas resgatam pelo menos um humano a necessitar de salvação eterna...

quarta-feira, 19 de março de 2008

Onomatopeia upon request

The link to this multimedia post will be revealed to whomever asks for it. Its contents will self-destruct in five days and its destruction will not be reversible. Be quick or risk missing the chance to mock my endeavours in the performance arts.

http://video.google.com/videoplay?docid=-6582918532710772218&hl=en