Acrílico sobre tela
Colecção do autor
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ELE VEM CÁ, ELE VEM CÁ, ELE VEM CÁ! (Ele é o Herr Stephan Bodzin e cá é o Domus.)




Na sucessão dos números, na abstracção das ideias que quantificam o tempo, nada melhor do que uma limpeza a fundo para revermos o brilho que se perdeu. Eu sei que ele lá está, só tenho dificuldade em remover a camada de poeira que se acumulou devido à falta de manutenção... Preciso de alguma ajuda, mas por vezes tenho receio de demonstrar essa necessidade e fico à espera que os indícios sejam suficientes... Se tenho de começar um processo provavelmente doloroso, quero fazê-lo acompanhado por quem me tem acompanhado nessa sucessão temporal que são os meus dias e as minhas noites. É por esses "quens" que fazem parte do que sou que começo a limpeza. Por todos aqueles que já passaram a barreira dos quatro e por aqueles que o estão a fazer agora... Tenho saudades de mim antes de ser quem sou, mas hei-de reconquistar o meu reino...
O som - sem fúria - nos objectos, o emaranhado de materiais e de formas, a monumentalidade dos volumes e do movimento, as patologias enquanto génese de criação, a interacção táctil - autoforçada ou permitida - entre visitante e peça, os resquícios de criações passadas como objecto actual exibível, o mergulho na escuridão enquanto metáfora para o mergulho aquático, a existência do labirinto que se miniaturiza e reconstrói... E a hora de almoço hoje foi mais do que apenas frango de caril requentado: obra de arte para o estômago, mas efémera por definição...
Em época de celebrações pascais, a Fénix pode ser um ovo de chocolate... A sua morte e ressurreição não salvam a humanidade, mas resgatam pelo menos um humano a necessitar de salvação eterna...